domingo, 30 de março de 2014

Jacques de Molay: 700 anos depois do Mártir.

 Há bastante tempo eu tive a ideia de iniciar uma coluna nesse Blog para falar um pouco sobre a história da Ordem DeMolay, como já vi em diversas páginas similares. Eu tinha a intenção de iniciar a série falando sobre duas pessoas extremamente conhecidas, porém que poucos (ou muitos) sabem sobre suas ligações com a Ordem. Porém como todo terceiranista acabo ficando sobrecarregado a maior parte de meu tempo com os estudos, por isso não sei quando vou ter tempo pra organizar as ideias e pesquisar pra montar as matérias que irei postar, por isso para esse primeiro episódio irei pegar a deixa do aniversário de setecentos anos da morte de nosso grande herói mártir e postar um texto que escrevi já faz algum tempo e falar sobre nosso herói mártir Jacques de Molay:

                                                                   Jacques DeMolay, em gravura do século XIX

Jacques da Borgonha de Molay (Vitrey, 1244- Paris 1314) foi cavaleiro e o 23º e último Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros Templários. Jacques de Molay era filho da pequena nobreza, nasceu na cidade de Vitrey no departamento de Haute Saone que na época pertencia ao Condado da Borgonha, sendo posteriormente incorporado ao território francês. O nome “de Molay” de onde Jacques retira seu sobrenome corresponde a uma pequena propriedade pertencente à diocese de Bensançon.
Pouco se sabe sobre os primeiros anos da vida de Jacques de Molay, acreditasse que era filho de pequenos nobres e, portanto recebeu pouca educação e cresceu como um jovem iletrado, sob os cuidados da mãe e de suas damas de companhia até a idade de sete anos. 

Seguindo o costume da época ao completar sete anos de idade o jovem Jacques foi levado até a residência de um nobre para servir como Pajem, recebendo a educação necessária para se portar em uma corte e ajudando os cavaleiros com seus cavalos e armaduras. Ao completar vinte e um anos o Jovem DeMolay tornou-se Cavaleiro recebendo sua cota de malha através de um simbólico cerimonial onde prestou juramento ao cavaleiro que o apadrinhou. Tornando-se Cavaleiro Jacques optou por juntar-se a Ordem dos Cavaleiros Templários. Jacques foi recebido em Beaune, Borgonha, por volta do ano de 1265, pelo visitador da França, Hubert de Peralde, quando passou pela iniciação na ordem conhecida como “recepção” onde jurou castidade, obediência e pobreza, e recebeu o manto branco com a cruz vermelha bordada, símbolo da ordem do qual acabara de iniciar.

A carreira de Jacques DeMolay dentro da ordem é obscurecida pela falta de registros, pois não havia historiadores na época, entretanto, se sabe que com a morte em batalha do Grão-Mestre Guilherme de Beaujeu durante a defesa de Acre em 18 de Maio de 1291, foi convocado um conselho geral em Chipre no mesmo ano para eleger o novo Grão-Mestre, onde foi eleito Teobaldo Gaudin, e DeMolay foi escolhido como novo Marechal, sucedendo Pierre de Sevry, o terceiro oficial mais importante da ordem e responsável por comandar um exército de mais de quinze mil homens, era um comandante de pouca cultura, porém ativo, corajoso e carismático.
                                      Brasão de armas do 23º Grão-Mestre Templário, Jacques DeMolay

Em 1292 Jacques DeMolay assume o Grão-Mestrado em uma época difícil, Jerusalém, Acre, Antioquia e Trípoli caíram uma após a outra, os Cruzados foram derrotados e retornaram para a Europa. Sob o comando de De Molay os templários fixaram base na ilha de Chipre, e passaram a se preparar para uma nova cruzada, De Molay buscou resolver problemas dentro da ordem desenvolvendo uma campanha diplomática por toda a Europa ocidental onde buscou resolver disputas e obter apoio.

DeMolay obteve sucesso ao defender a Armênia e Cilicia e se aliou a Cazan, Príncipe dos Tártaros, que era simpático aos Católicos e com a ajuda do exército Tártaro obteve êxito ao reconquistar Jerusalém em 1300, entretanto, traições e desorganização quebraram a força do exército Tártaro e Jerusalém tornou a cair frente ao Islã no mesmo ano. Com a morte de Cazan e seu sucessor que não tinha interesse em apoiar uma nova expedição os templários foram forçados a recuar para Chipre.

Durante o mestrado de DeMolay é debatida a fusão das ordens do Templo e do Hospital. A Ordem dos Cavaleiros Hospitalários era outra poderosa ordem surgida durante as cruzadas e era grande rival dos cavaleiros Templários. Após a perda de Acre os Templários passaram a ser criticados por haverem perdido seu propósito, a defesa daqueles que iam peregrinar na Terra Santa. Muitos culpavam a rivalidade entre as duas ordens pelo fracasso das Cruzadas, então muitos passaram a defender a fusão das duas organizações e a convocação de uma nova Cruzada custeada por seu tesouro conjunto. Em Maio de 1307, em Poitiers, DeMolay apresentou uma defesa contra o projeto de fusão da ordem argumentando entre outras coisas que separadas as duas teriam maior eficácia e que mesmo as duas tendo o mesmo objetivo cada uma tinha seu próprio destino.

Filipe IV, rei da França, tinha especial interesse na fusão das ordens, pois este havia contraído enormes dividas para com o tesouro templário e a fusão abriria espaço para que obtivesse titular controle sobre o tesouro das ordens, Filipe estava preparado para destruir a Ordem do Templo caso seu projeto não se realizasse. Em 14 de setembro de 1307, Filipe enviou cartas para todas as províncias francesas, as cartas foram abertas simultaneamente em 13 de outubro, uma sexta-feira, quando foram abertas revelaram um assustador conteúdo ordenavam a prisão de todos os cavaleiros templários na França, incluindo o Grão-Mestre Jacques de Molay que estava em Paris para participar das solenidades do funeral da princesa Catarina, cunhada do rei Filipe, foi preso junto de sessenta de seus irmãos.

O papa Clemente se opôs a manobra de Filipe e em 27 de Outubro suspendeu os poderes da inquisição na França, entretanto, essa ação não foi capaz de interromper a perseguição aos cavaleiros e temendo que a perseguição fugisse ao controle este em 02 de Novembro este emitiu uma bula sancionando a prisão de templários por toda a Europa. Cerca de sessenta cavaleiros foram queimados vivos na França e o mais importante de todos os julgamentos, o julgamento público de Paris, tem inicio em 11 de abril de 1310.
Finalmente, em 03 de Abril de 1312, após um conselho geral em Viena o papa condena publicamente a Ordem e emite uma bula transferindo as posses templárias diversos destinatários principalmente outras ordens religiosas e os monarcas, com Filipe reivindicando a maior parte para si.

Em 18 de Março de 1314, Jacques de Molay, Grão-Mestre Templário; Godofredo de Goneville, Preceptor de Poitou e Aquitânia; Guy d’Auvergne, Preceptor da Normandia e Hugo de Peralde, Inspetor da França; foram levados até uma plataforma em frente à catedral de Notre Dame em Paris para serem julgados por uma comissão formada por três bispos: Arnold Novell, antigo monge cisterciense; Nicolau de Fréanville, ex-confessor de Filipe e Arnold de Farges, sobrinho do papa; a composição da comissão mostra sua total parcialidade.

Nas primeiras horas da manhã, uma multidão cercou o palanque onde um prelado fazia um sermão sobre as coisas de seu tempo, e sem cerimônia foram apresentados diversos documentos, inclusive um relatório sobre a investigação de Jacques de Molay em Chinon, e os quatro cavaleiros foram condenados à prisão perpétua, Hugo de Peralde e Godofredo de Goneville concordaram com a sentença, mas Jacques de Molay e Guy d’Auvergne se recusaram a aceitar as falsas acusações e desmentiram as confissões forjadas, segundo as leis da época a pena para a retratação de uma confissão era a morte. Guy e Jacques foram queimados numa fogueira numa ilha do rio Sena (île de La cité), em frente à Catedral de NotreDame, após sete anos de torturas inimagináveis, sem nunca terem cedido e traído seus irmãos. Jacques de Molay entrou para a história como um mártir, símbolo da fidelidade para com seus irmãos e da tolerância para com seus inimigos.

                      Jacques e Guy são queimados na fogueira enquanto a multidão observa.

Mesmo que seu corpo tenha fenecido nas chamas do ódio e da intolerância, seu espirito ainda paira sobre todos nós jovens e não tão jovens dessa nação que fazemos todos os dias a Ordem DeMolay.

sábado, 8 de março de 2014

Virtudes - O companheirismo.

Caros irmãos e leitores, voltando com nossas atividades no blog após o carnaval, iremos estudar hoje a virtude do companheirismo, quem em minha opinião, é a mais importante dentro de nossa ordem.

(clique na imagem para ampliar)

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O companheirismo, uma de nossas sete virtudes cardeais, modelos a qual seguimos em nossas vidas diárias para nos tornarmos bons e corretos cidadãos. Representada pela 4° jóia, o companheirismo é guardado pelo quarto preceptor ( um cargo em nossa ordem ), e é de suma importância para nossa reunião.

Não é tão difícil falar sobre companheirismo, porém se torna indescritivelmente difícil não assimilar-se com a amizade, com o amor, com Deus, com a Ordem DeMolay. Ao longo de nossa existência, muitas pessoas passaram por nossas vidas, muitas se foram, muitas não aparecem mais, e poucas estão presentes, mas na Ordem DeMolay, nós conservamos com todas as forças esta virtude, sempre temos muitos amigos e irmãos com quem podemos contar, aqueles que passarão uma vida toda ao lado sendo irmãos. O companheirismo em si podemos dizer que é pura irmandade, é puro amor ao próximo.

Nenhuma pessoa é tão digna quanto uma pessoa que pratica o companheirismo, e que com essa dignidade possa ser humilde, e não se vangloriar por tudo que fizer, não faça nada simplesmente para ganhar um mérito, e SIM ! faça por amor, se fizeres algo por amor seguindo a vela do companheirismo será merecido de todos os méritos.

Muitos DeMolays consideram essa virtude a mais importante, pois ela está no centro de todas, e sem ela não haveria a UNIÃO. Nada mais justo. Mas o Companheirismo é uma virtude que transcende isso, pois é uma relação muito mais que palavras e ações, ela vem do coração. Um  bom companheiro é aquele que se faz presente não somente através de palavras, mas principalmente através de suas atitudes, gestos. Um DeMolay, além de ser um amigo leal e disposto, é uma pessoa com quem pode se contar em qualquer circunstância.

Posso ainda citar um trecho da Cerimônia das Luzes: Enquanto nós permanecermos fiéis a essas promessas, enquanto existir uma Ordem DeMolay, nós estaremos unidos.”


Textos de: Jefferson Andrade, e DeMolay Piauiense.